A recente pesquisa do Instituto Sou da Paz revela um crescimento alarmante na apreensão de fuzis nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, fenômeno que está atrelado à expansão das atividades de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com os dados, estados como Bahia, Pará e Ceará lideram o aumento nesse tipo de armamento, com percentuais impressionantes de 392,9%, 360% e 263,6%, respectivamente.

Contexto da Apreensão de Fuzis

Entre 2021 e 2025, o Brasil viu um aumento significativo no número de fuzis apreendidos, passando de 807 em 2021 para 2.137 no ano passado, o que representa um crescimento de 164,8%. Essa mudança no perfil das apreensões é preocupante e demonstra uma nova dinâmica na circulação de armamentos pesados em todo o país. O Rio de Janeiro continua sendo o estado com o maior número de apreensões absolutas, mas o crescimento percentual é mais notável em regiões como o Nordeste, onde antes a presença de fuzis era quase inexistente.

A diretora do Sou da Paz, Carolina Ricardo, destaca que a nacionalização do armamento pesado está diretamente ligada à lógica de ocupação territorial das facções. "O fuzil é o instrumento dessa disputa", afirma. O delegado André Macedo, da Polícia Civil da Paraíba, corroborou essa visão, enfatizando que os conflitos entre facções são um fator determinante para o aumento das apreensões.

Mudanças nas Armas e Legislação

Outro dado alarmante é o aumento da participação de pistolas no total de armas apreendidas, que saltou de 20,7% para 27,8%, alcançando um total de 31.107 em 2025. As pistolas são mais rápidas e possuem maior poder de fogo, o que as torna preferidas entre os criminosos. Essa transição de revólveres para pistolas e fuzis pode ser atribuída a mudanças legislativas ocorridas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que facilitaram o acesso a armas de fogo, permitindo a comercialização de calibres antes restritos.

Proliferação de Armas de Fogo

O estudo também sugere uma possível "substituição de importações", onde o mercado interno se torna a principal fonte de armamentos para o crime, enquanto as apreensões por tráfico internacional diminuem. Especialistas, como Roberto Uchôa, observam que as mudanças no controle de armas e a popularização de impressoras 3D para a fabricação de armas artesanais representam novos desafios para a segurança pública. "Sete em cada 10 fuzis apreendidos não têm identificação de origem", revela o estudo.

Conclusão e Próximos Passos

Diante desse cenário alarmante, as autoridades estão sendo chamadas a reavaliar suas estratégias de combate ao tráfico de armas e ao crime organizado. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, propôs um plano para reativar a Força Internacional de Combate ao Tráfico de Armas, que poderia colaborar com agências internacionais para enfrentar essa questão. O crescimento da circulação de armamentos, especialmente fuzis e pistolas, exige uma resposta rápida e eficaz do Estado para reverter essa tendência e garantir a segurança da população brasileira.

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