A entrada de Cleitinho Azevedo (Republicanos) na corrida pelo governo de Minas Gerais provocou um movimento rápido de reorganização entre os principais nomes da direita no Estado. Após semanas de incertezas e vetos do próprio partido, Cleitinho teve sua pré-candidatura confirmada pelo presidente nacional dos Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira, legitimizando sua presença na disputa eleitoral e alterando drasticamente o cenário entre os adversários deste campo político.

Recalibrando estratégias e disputando espaço

Com Cleitinho agora oficialmente no páreo, campanhas como a do atual governador Mateus Simões (PSD) passam por uma fase de ajuste estratégico. Segundo interlocutores, a ordem é evitar ataques diretos ao senador e investir em mostrar serviços prestados e propostas de continuidade. "Eu e Cleitinho sempre tivemos uma boa relação", declarou Simões, destacando que a disputa será centrada em entregas e projetos para Minas Gerais, intensificando o foco na propaganda eleitoral gratuita.

Com apoio da federação União-Progressista, Simões deve ter tempo estimado de até 3 minutos e 40 segundos na propaganda de rádio e TV, o que será crucial para fortalecer sua imagem e conquistar novos eleitores, especialmente entre os chamados "independentes" e segmentos da direita não alinhada ao bolsonarismo.

Novas alianças e apoios locais em disputa

O anúncio da candidatura de Cleitinho também mobilizou outros atores relevantes no cenário mineiro. Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil, chegou a romper com Simões para tentar costurar uma candidatura própria, mas acabou se aproximando de Cleitinho após frustrações e desgaste de sua articulação. Agora, atua como aliado do senador e potencial catalisador de apoios em regiões do interior, embora aliados de Simões minimizem o alcance dessa proximidade, creditando que prefeitos demoram a se engajar nas campanhas e que a propaganda oficial ajudará o governador a consolidar apoios.

Bolsões da direita e palanques múltiplos

Com a candidatura de Cleitinho sacramentada, o PL optou por manter o empresário Flávio Roscoe na disputa, mirando a construção de um palanque bolsonarista próprio em Minas. A decisão, reforçada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também levou em conta possíveis questionamentos jurídicos quanto à formalização da candidatura de Cleitinho – oficializada após o prazo das convenções –, que pode gerar instabilidade no cenário institucional.

Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), declarou que entra na disputa para manter a direita unida no Estado, contando com nomes do próprio partido na chapa e buscando garantir robustez eleitoral frente à fragmentação do campo conservador mineiro.

Cenário aberto até o início oficial da campanha

Na medida em que a campanha oficial se aproxima, as legendas e candidatos de direita em Minas Gerais intensificam o ajuste de rota, aguardando o desempenho de Cleitinho nas pesquisas e eventuais definições judiciais sobre sua candidatura. Simões aposta no tempo de TV, Cleitinho mobiliza lideranças regionais e Roscoe reforça o palanque PL, enquanto alianças locais seguem abertas à rearranjos estratégicos.

A disputa mineira revela que o tabuleiro do campo conservador está longe de se estabilizar e que próximas semanas serão decisivas para a consolidação dos palanques e a definição do perfil do eleitorado de direita no segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

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