A importância do eleitor apartidário nas Eleições 2026 foi destacada por Cila Schulman, CEO da empresa de pesquisas Ideia, em entrevista concedida na última segunda-feira (10.ago.2026) ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Segundo Schulman, a disputa presidencial deste ano será caracterizada como uma "batalha de rejeições", com foco na conquista daqueles que não possuem filiação ou preferência clara por sigla política.

O perfil do eleitor em disputa

De acordo com Schulman, o eleitor que não declara simpatia ou vínculo com nenhum partido será o centro das atenções dos principais candidatos ao Palácio do Planalto. Dados recentes reforçam essa análise: pesquisa PoderData/Aya, realizada entre 12 e 15 de julho de 2026, aponta que 17% dos brasileiros escolhem seu candidato à presidência rejeitando as demais opções.

Dentro de um cenário polarizado e acirrado, esse segmento tende a ser o fiel da balança. "Reduzir a própria rejeição e conquistar parte desses votos deverá pesar na definição do resultado em outubro", explica a CEO da Ideia.

Impacto da abstenção e desafios para o governo

Outro ponto abordado por Schulman refere-se à abstenção eleitoral, com destaque para os prejuízos impostos ao Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme a executiva, a campanha do atual presidente precisará ampliar seu apoio para além dos estratos tradicionais, compensando possíveis ausências nas urnas.

“A abstenção é um ponto muito importante e a campanha do presidente Lula vai precisar contar com uma gordura maior por causa disso”, afirmou Schulman durante o programa.

Participação entre eleitores de baixa renda

Dados levantados pela CEO indicam ainda que os brasileiros com renda de até dois salários mínimos são, historicamente, os que menos comparecem às urnas. Este grupo, tradicionalmente base de apoio do presidente Lula, é crucial: em julho, ele liderava as intenções de voto entre essa faixa com 47%, contra 41% de Flávio Bolsonaro (PL) em simulação de segundo turno.

Projeções e próximos passos

A análise mostra que a disputa pelo voto de rejeição e o enfrentamento da abstenção moldarão as estratégias das principais campanhas. Com a eleição marcada para outubro, alianças e projetos de comunicação se voltam, cada vez mais, para o eleitor que observa os candidatos à distância, esperando não apenas ser convencido, mas também menos repelido.

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