Imagens obtidas por investigações recentes revelam uma nova onda do golpe da falsa central bancária, que tem causado perdas milionárias a brasileiros em diversas regiões do país. Criminosos usam vídeos e ligações persuasivas para se passar por gerentes ou funcionários de instituições financeiras, orientando as vítimas a realizarem transferências enquanto acreditam estar protegendo suas contas.

Como funciona o golpe da falsa central bancária

O esquema geralmente começa com uma ligação telefônica em que o criminoso se apresenta como gerente do banco. A vítima, convencida de que está conversando com um agente legítimo, segue instruções detalhadas passadas pelo golpista, que a induz a movimentar o dinheiro, supostamente para evitar fraudes. Na verdade, os valores vão diretamente para contas controladas pelos bandidos.

O delegado Everson Aparecido Contelli explicou que os golpistas utilizam gatilhos de autoridade ao fingirem ser representantes do banco. Segundo ele, “qualquer pessoa pode cair”, citando casos inclusive de profissionais com alto nível de escolaridade. Um dos fatores que torna o golpe tão efetivo é o disparo de mensagens e ligações em massa: "O criminoso não espera sucesso em todos, mas o mínimo já significa prejuízo significativo", destacou.

Prejuízos expressivos e operação nacional

As consequências desse golpe são severas. Em um caso recente em Guarulhos (SP), um homem foi preso em flagrante após retirar R$ 17.400 de contas pertencentes a um idoso de 82 anos, vítima de uma ligação iniciada em Belo Horizonte (MG). Já no Paraná, um advogado de Cascavel perdeu cerca de R$ 600 mil, valor que incluiu saques, esgotamento do limite do cheque especial e até financiamento adquirido em nome da vítima. A polícia enfatiza que o golpe já atingiu cidades pequenas, como Mirassol (SP), onde dois moradores por dia relatam ter sido alvo do mesmo crime.

Segundo o delegado Adair Marques Correia Junior, quadrilhas de diferentes estados vêm atuando em conjunto, especializando-se em partes distintas do esquema: enquanto umas replicam sites falsos de bancos, outras conseguem informações privilegiadas das vítimas e outras ainda realizam os contatos telefônicos.

Ação policial e recomendações dos bancos

Em julho, uma operação policial resultou na prisão de 22 suspeitos e na apreensão de celulares, computadores e documentos que comprovam o funcionamento de falsas centrais bancárias. O local onde os criminosos agiam possuía até mesmo quadros de metas mensais, mostrando a estrutura organizada dessas quadrilhas.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reforça que nenhum banco solicita transferências de valores sob pretexto de segurança e recomenda atenção máxima, protegendo a conta com credenciais, tokens e senhas. Segundo o diretor-executivo de Inovação da Febraban, Ivo Mósca, a agilidade na percepção do golpe pode ajudar na tentativa de bloqueio ou recuperação do dinheiro, mas frequentemente o valor é pulverizado rapidamente entre diversas contas, dificultando o ressarcimento.

Como se prevenir contra o golpe

- Nunca realize transferências ou forneça dados pessoais a partir de solicitações telefônicas, mesmo que aparentem ser do banco.
- Use sempre os canais oficiais de sua instituição financeira para esclarecer dúvidas ou confirmar transações.
- Desconfie de contatos que pressionem por decisões rápidas ou alarmem sobre supostas fraudes.

A disseminação dos golpes demonstra a necessidade de constante vigilância e informação. Para seguir seguro diante de tantos esquemas, oriente familiares e amigos sobre os riscos e atualize-se com orientações das autoridades.

Fique por dentro das últimas notícias do Brasil em politicsinsight.live